Como a EMDR trabalha o medo de errar

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Como a EMDR trabalha o medo de errar

Você já sabe que errar faz parte.

Já ouviu isso muitas vezes.

Talvez até diga isso para outras pessoas.

Ainda assim, quando o erro é seu, algo muda.

O corpo enrijece. A mente acelera. A sensação não é só de frustração — é de queda.

Pode ser um detalhe pequeno, algo que ninguém mais parece ter notado. Mesmo assim, por dentro, o impacto é grande.

E aí surge a pergunta silenciosa:

“Por que isso ainda me atinge desse jeito?”

O esforço que você já fez e não resolveu

Você já tentou se cobrar menos. Já tentou relativizar. Já tentou se convencer de que ninguém é perfeito.

Em alguns momentos, funciona. Mas basta errar, falhar ou não dar conta para a reação voltar com força.

Isso costuma gerar raiva de si mesma. Ou vergonha. Ou a sensação de que algo está errado com você.

Mas aqui está um ponto importante de entender: essa reação não é falta de maturidade nem de consciência.

Por que o corpo reage antes do pensamento

Padrões de autoestima ligados a desempenho e perfeição não se formam apenas a partir de ideias. Eles se constroem a partir de experiências emocionais repetidas, vividas ao longo do tempo.

Experiências como:

  • Crescer sentindo que errar não era uma opção segura

  • Perceber que o reconhecimento vinha principalmente quando você acertava

  • Receber críticas duras ou decepção quando falhava

  • Aprender que dar conta era mais valorizado do que pedir ajuda

  • Sentir que descansar, parar ou não render gerava culpa

  • Comparar resultados e se sentir sempre atrás

  • Ouvir elogios ligados ao desempenho, não a quem você é

  • Associar valor pessoal a acertos, notas, resultados ou entregas

Essas experiências não ficam só na memória racional. Elas se organizam como memória emocional — no corpo, nas emoções, nas respostas automáticas.

Por isso, quando algo semelhante acontece hoje, o corpo reage como se o risco ainda fosse o mesmo — mesmo que, racionalmente, você saiba que não é.

Não é falta de maturidade. É ativação inconsciente de um aprendizado antigo.

O que a EMDR considera nesse tipo de padrão

A EMDR parte do entendimento de que reações emocionais intensas no presente muitas vezes são sustentadas por experiências passadas que não foram totalmente processadas.

No caso do perfeccionismo e da dor ao errar, o que está ativo não é apenas o erro atual. É o que esse erro reativa por dentro.

O trabalho com EMDR permite o reprocessamento dessas memórias emocionais, para que o sistema deixe de reagir como se o passado ainda estivesse ativo — mesmo quando, racionalmente, você sabe que a situação atual é diferente.

Ou seja: não se trata de mudar a forma de pensar sobre o erro, mas de atualizar a resposta emocional a ele.

Como o trabalho acontece na prática

No processo com EMDR, não é preciso se forçar a reviver situações nem se aprofundar em análises intermináveis.

O foco está em:

  • Acessar experiências que ficaram associadas a ameaça ou perda de valor

  • Permitir que essas memórias sejam integradas de forma mais adaptativa

  • Reduzir a carga emocional automática ligada ao erro e à falha

À medida que esse reprocessamento acontece, o erro deixa de ser vivido como sinal de insuficiência.

Ele continua desconfortável.

Mas já não desmonta você por dentro.

O que muda quando esse padrão é trabalhado

Quando memórias ligadas a desempenho e perfeição começam a ser reprocessadas, o erro deixa de ocupar um lugar tão ameaçador.

A autocrítica perde força. A vergonha diminui. O medo de falhar já não paralisa da mesma forma.

Com isso, fica mais possível:

  • Tentar sem se destruir por dentro

  • Aprender sem se punir

  • Se permitir errar e continuar

  • Construir caminhos sem a exigência de acertar sempre

Não é relaxamento no sentido de descuido. É regulação emocional.

É mais espaço interno para crescer, aprender e tentar sem se violentar.

Quando o erro volta a ser humano

Quando o padrão ligado ao desempenho é trabalhado, errar volta a ocupar um lugar mais realista.

Ele não some. Mas deixa de definir quem você é.

Isso permite aprender sem se punir, crescer sem se pressionar e tentar sem se destruir.

Esse tipo de mudança não acontece por decisão racional.

Ela acontece quando a resposta emocional deixa de carregar o peso de algo que já passou.

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